segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O vinte de setembro. #1

Acho que todo ano é a mesma coisa, mas em alguns anos foi muito difícil. O ano em que briguei com as rosas foi muito difícil, porque nenhuma delas se dispôs a me parabenizar. Por nada. Nem pela minha coragem de seguir em frente - ou pela covardia de abandonar o barco naufragante-. E foi o ano que eu me senti sozinha, verdadeiramente sozinha naquela Universidade. Os corredores vazios, cheios de gente vazia, dizendo palavras vazias. Foi o ano que eu me senti mais vazia, mais sozinha.

Eu me sinto muito sozinha. Sempre precisei de um pouco de atenção. Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto. Acho que não tem trecho de música que fale mais de mim do que esse. Eu queria, no fundo, superar tudo isso. Encher o peito e dizer que passou, como eu já disse tantas vezes da boca pra fora. Fico me perguntando se foi isso que me deixou assim, essa pessoa escrota, que não se esforça muito pra "manter amizades". E tem uma parte de mim que diz que essas coisas deveriam acontecer sozinhas, espontaneamente.

Bom, teve o outro ano, o ano do joelho podre, da fisioterapia. O ano de andar mancando, o ano das muletas, o ano dos trinta dias imobilizados que me renderam atrofias musculares e uma perna levemente maior que a outra. O ano em que eu percebi que, às vezes, pessoas que nem te conhecem podem te trazer muito mais alegria que gente que te conhece há anos. O ano em que eu chorei, chorei porque não queria estar naquele lugar, e também chorei porque às vezes eu me acho muito insuportável, e eu chorei porque meus fisioterapeutas tinham deixado seus pacientes de lado for a while e foram cantar meus parabéns ali, comigo, numa salinha do consultório. Eu chorei com as palavras que eu ouvi da Dra. Mylza, sobre estrelas, cometas e algumas coisas que minha memória escrota não consegue lembrar. Mas eu chorei porque foi lindo, porque aquilo atravessou meu coração feito flecha. E não consegui conter as lágrimas ao escrever esse maldito parágrafo.

Teve o ano em que meu namorado estava longe, tinha acabado de ir pra longe. O ano em que eu quis ficar mais sozinha do que nunca, o ano em que eu só queria desaparecer, dormir e acordar logo com 21 anos. Eu chorei quando fiz 20 anos, esse tapa na cara que é a vida adulta. E eu estava completando meus 21 anos sem a pessoa que mais se anima com essas datas: o meu namorado. Eu não queria fazer nada, mas ele conseguiu organizar a droga de uma festa surpresa com as pessoas que eu mais gostava naquele momento, e ele gravou a droga de um vídeo que me fez chorar feito criança, e me fez abraçar a tela do computador na esperança de sentir qualquer coisa, e eu só senti mais e mais vontade de chorar, e aí eu me afastei e me despedi daquela imagem, porque eu nunca gostei de chorar na frente de ninguém. Mas depois eu chorei, porque tudo o que eu queria estava dentro do computador, ou melhor, tava lá na puta que pariu. E demorou muito pra eu chegar lá.

Eu simplesmente queria que as pessoas que não gostam de mim desaparecessem da minha vida. Ou eu simplesmente queria desaparecer, e acho que essa é a grande verdade sobre mim. Eu queria desaparecer. Eu queria ser invisível a maior parte do tempo, especialmente no dia do meu aniversário. Sabe o que é? Eu nunca gostei de incomodar ninguém, e eu acho horrível que eu esteja no meio de um clima tenso entre alguns dos meus amigos. Eu acho que isso deveria ficar entre mim e a pessoa, e que ninguém mais deveria se meter, e que ninguém também deveria ser afetado. Que a gente se tratasse como desconhecidos, ou melhor, que nem se tratasse. E tem a outra lá, também, que é duro concordar, mas desde que chegou, as coisas começaram a dar errado ali dentro. Eu não consigo ser falsa, e a verdadeira Juliana é muito rabugenta e grosseira. Mas eu não quero ser assim com ninguém, mas é porque, pra piorar, ainda cái no meu dia. E mais uma vez eu tô no meio de uma situação ridícula de disputa, e mais uma vez é como se eu me visse obrigada a lutar por coisas/pessoas que, porra, eu já tinha certeza. Mas agora tudo é incerto. Esse é o ano da incerteza. É o ano em que eu REALMENTE queria desaparecer, porque aí eu não incomodava ninguém, de jeito nenhum, nem em pensamento. As pessoas nem precisariam se sentir obrigadas a escrever nada pra mim no facebook, nem no whatsapp, nem em porra de lugar nenhum. O que eu sinto é a mesma vontade de ficar dormindo, acompanhada da incerteza da vida, das coisas e das pessoas, e da vontade de marcar logo um psicólogo, pra ver se eu tô ficando mesmo doida, ou se tá ficando cada vez mais difícil de viver nesse mundo estúpido. Vou fazer isso amanhã.

Faz pouco tempo que eu descobri que mães também erram, e pouco tempo que descobri que a minha não admite estar errada em nenhum momento. E fico pensando que minha mãe é assim comigo, imaginem só como é fácil pras outras pessoas serem assim. Eu acho que só tô meio cansada dessas dúvidas, dessas incertezas e desse coração pesado que eu carrego há tanto tempo.

E que eu queria mergulhar num mar de água bem gelada, uma água que eu pudesse abrir os olhos e enxergar tudo e depois não precisar enxergar mais nada, e que eu pudesse inspirar e expirar essa água até que ela tirasse tudo de podre que tem em mim. E eu queria ficar imersa ali até que eu perdesse os sentidos e o dia do meu aniversário, e que quando eu voltasse, toda essa droga de fase tivesse acabado, e tudo que me faz mal tivesse morrido afogado.

sábado, 20 de julho de 2013

Sobre o dia do amigo.

Eu resolvi fazer essa postagem aqui, nesse blog que ninguém lê, pra ninguém ficar sentido, com ciúme, ou qualquer coisa do tipo.

Eu resolvi escrever aqui, porque o dia do amigo pra mim sempre foi muito importante. Eu sempre achei o máximo receber cartinhas, mensagens de texto, recadinhos no finado Orkut e tudo o mais. Mas não sei se por estar ficando velha e rabugenta, ou pela realidade estar me puxando cada vez mais para perto dela, eu não consigo mais sentir muita coisa nesse vinte de julho.

Talvez nem tanto pela rabugentice, mas provavelmente muito pelas decepções com "amigos" que tive. Pelas quatro flores que deixaram a Margarida apodrecer sozinha, e pela flor traiçoeira que me arrancou do solo pela raiz. E pelas outras flores, que sabiam da minha apodrescência e me deixaram definhar. Viraram as costas.

E talvez também pelas amizades infantis, que são incapazes de enxergar o mundo além do seu próprio umbigo, que são incapazes de sair de trás do muro do orgulho para entender os sentimentos do outro; as amizades infantis, que não aguentam ouvir verdades, que só se importam em ter a última palavra, Beijo :*
As amizades infantis, que são as mesmas voláteis e vazias, mas que ao mesmo tempo exigem a intensidade e a profundidade da sua parte, a frivolidade de uma amizade adolescente, de fotos em espelhos de banheiro. As amizades infantis, que exigem que a gente as aceite como são, mas são incapazes de conviver com as diferenças.

E, por último, as amizades intensas, que são intensas na hora de chegar e partir. Os amigos que entram na sua vida como um arremesso a ultravelocidade do destino, como uma bomba a explodir dentro de ti e te encher de sentimentos que você nunca sentiu... E vão embora de mansinho, enquanto você dorme, ou vão embora sem deixar rastros, ou vão embora com raiva de você por um motivo que você nunca vai saber (ou entender) o por quê, ou... simplesmente vão embora. E nunca mais voltam.

Eu nunca fui muito paciente, sempre tive o pavio curtíssimo... E tenho meus defeitos, meus um milhão de defeitos que uma mulher-virginiana-com-ascendente-em-touro tem, mas preciso dizer que, com os meus amigos, eu consigo ser essa pessoa, sabe? Eu consigo ser amável, atenciosa e tudo o mais. Nem sempre consigo, mas sempre tento. E quando eu falo -meus amigos-, você, leitor, nem precisa se dar ao trabalho de imaginar quantos eu devo ter, porque eu consigo contá-los nos dedos das mãos. E isso é maravilhoso! Nunca consegui entender como aquelas pessoas super populares conseguiam administrar tantos amigos.

O que eu mais amo nos meus amigos é o fato de todos eles terem a mesma essência, a mesma concepção de amizade que a minha (e talvez seja isso que nos mantenha sempre juntos, como uma espécie de elástico invisível, um ímã, um campo magnético de atração): os amigos de verdade simplesmente são amigos de verdade. Eles te conhecem o suficiente para sempre estarem ali, e você os conhece o suficiente pra saber que eles sempre vão estar ali. E não importa a distância física ou sentimental, não importa quanto tempo vocês estão sem se falar, e também não importam se vocês se falam com regularidade ou não; os amigos de verdade querem seu bem, independentemente da situação em que você está. Eles não se importam se você trocou de cidade, ou de bairro, ou de escola, ou se você conheceu novas pessoas, ou se você começou a namorar: o amigo de verdade vai estar sempre ansioso para saber, de você, tudo o que você quiser contar. E ele vai respeitar se você não quiser contar nada. Ele também vai respeitar sua TPM, seus dias difíceis, seu choro, sua vontade de fugir de tudo. E a única coisa que ele espera de você é a reciprocidade. Porque os amigos de verdade resistem ao tempo, às mudanças, às brigas e à distância. Os amigos de verdade são amigos de verdade por natureza, e eles identificam uns aos outros. E talvez seja isso que faça deles -dos meus amigos de verdade- tão especiais e importantes pra mim: a identificação, a segurança, a certeza, a lealdade.

Eu amo muito, muito, muito vocês. ♥

domingo, 24 de fevereiro de 2013

eu confesso.

que às vezes acho que a gente tem que ficar junto pra sempre.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

estabilidade

ter um rumo nessa vida. saber exatamente pra onde ir. ou não saber, mas pelo menos sentir que está indo na direção certa. ter uma perspectiva de vida. se encontrar. uma pessoa que me aguente com ou sem tpm, que fique do meu lado, que me faça ter certeza de que eu não tô sozinha. que tome partido, que mergulhe comigo nas minhas ideias e ideais. que segure minha mão e me dê a certeza de que não vai mais soltar. uma pessoa que me ajude a organizar a minha vida, que entenda que eu odeio responder e-mails, que eu tenho a sensação de que nunca estou no lugar certo, mas que me faça sentir que, pela primeira vez na vida, eu estou enraizada em algum lugar fixo e seguro. eu nunca tive essa certeza. uma pessoa que entenda essa eterna sensação de insegurança, uma pessoa que me dê segurança. uma pessoa que entenda que não é sempre que eu quero amor: às vezes, eu só quero o companheirismo. alguém que tome a iniciativa por mim. alguém que dê as ideias. alguém que faça os planos. alguém que fique ansioso pela minha chegada. alguém que reconheça o meu esforço, alguém que consiga colocar na minha cabeça todas as coisas boas que eu não acredito. alguém que me faça voltar a acreditar nas coisas boas que, um dia, eu já acreditei. alguém que não me repreenda quando eu estiver chorando por bobagem. alguém que não tente levantar o meu astral quando eu estiver sofrendo. alguém que fique do meu lado, em silêncio, mas que saiba a hora de falar. alguém que ature o meu perfeccionismo, o meu metodismo, a minha mania de organização, o meu virginianismo.

alguém que saiba exatamente o que fazer.
alguém que leia esse post (será que alguém ainda lê esse blog?) e não fique triste, mas preocupado.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

inverno

as suas lembranças são a última folha seca que eu não quero deixar cair.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

no alto.

pra mim, sempre foi assim: quanto mais alto, maior o medo.
eu nunca usei salto alto. nunca me equilibrei por muito tempo em cima de pedras na rua. nunca saltei de um trampolim. os brinquedos mais altos sempre me deram medo.

não tinha como ser diferente no amor.
ah, o amor.