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quinta-feira, 22 de julho de 2010

hoje não.

(...)

e agora já me sinto quase leve, um quase alívio, uma quase felicidade, um quase sorriso, uma quase esperança. uma quase melodia imperial, um quase salão, uma quase dança, uma quase praça em um quase fim de tarde. quase estrelas, quase lua. mas ainda é madrugada, e então é quase amanhã. é quase alegria, e mais uma vez essa quase-vida sái de mim!

e mais uma vez é esse sorriso que te fecha os olhos, que te molha de água da chuva, que te enche o cabelo de estrelas, o corpo de flores; e aí tu giras, giras, giras no teu carrossel, e teus pensamentos vão com as bolhas de balão, com balões de são joão, com pipas de papel... ou com um disco voador.


grande parte deste texto foi removida por motivos genuinamente pessoais.

domingo, 11 de julho de 2010

depois da chuva.

me faltam palavras, como se elas não existissem... ou como se, simplesmente, estivessem se escondendo de mim: talvez queiram ser usadas no momento certo. hoje, nem precisei ir até o quintal para respirar uma brisa boa, que me disse que a chuva viria; e aí, me lembrei de uma frase que dizia "but you can't have a rainbow without a little rain", e me lembrei do dia que a vi por aí, traduzida em fotografia: foi o dia que consegui traduzí-la em sentimentos meus, que até hoje não consigo descrever, de tanto que o coração pareceu, em um segundo, cheio de si, de tanta esperança! e choveu. choveu forte, como se fossem lágrimas de uma mágoa, de uma tristeza que já não queria mais ser. e, de alma lavada, saiu para passear aqui, no meu jardim, onde virou esse sentimento que ainda não tem nome. porque é muito mais que alegria, felicidade, leveza, paz, tranquilidade. é uma energia. uma vez, uma pessoa muito querida me disse que eu tinha estrela, e me entregou uma pulseira cheia delas; e quando eu perguntei o por quê, simplesmente me respondeu: - é simples. quando você está triste, chove. quando está feliz, faz sol. algumas pessoas se tornam inesquecíveis por tão pouco... ultimamente, quando o sol bate meu rosto, chega a doer na vista. mal consigo abrir os olhos! e de olhos fechados, mesmo, consigo sentir milhões de pequenas estrelas fazendo luz em minha volta, e cada pequena luz compondo cada fonema desse sentimento que ainda não se formou. ou talvez já esteja mesmo pronto, eu é que tenho essa mania de entitular tudo o que vejo. e o que não vejo, também. a pulseira já não brilha como antes, mas ainda a guardo como se me fosse recém dada; talvez eu tenha pegue seu brilho emprestado, e não queira mais devolver.

sempre sustentei uma teoria própria, de que tenho uma certa sensibilidade para traduzir pessoas. sim. em um olhar, só. não é fácil fazer com que pessoas acreditem nisso, mas sempre dá certo comigo, feliz ou infelizmente. o lado bom é que isso me concede coragem, quase como se fosse magia, e eu consigo vencer essa timidez incrédula que possuo. na sequência, tenho uma quase necessidade de me sentir tão importante para as pessoas quanto elas se tornam, com poucas palavras e pequenos gestos, para mim. no caso extremo oposto, tenho urgência em não mais querê-las no olhar, em não dar-lhes minha educação, em não dirigir-lhes a palavra. isso não me traz conclusão alguma, mas já me levou a tomar decisões drásticas.

no dia em que eu anoiteci junto com o sol, dentro do mar, soube amanhecer junto com a lua. nunca achei que valesse a pena contar isso para alguém, já que quase ninguém me entende. é difícil entender o coração. mas um dia, em uma situação que nem merecia saber desse fato, houve quem entendesse e, por um instante, vi em seus olhos um mar que já me afogava quando decidi desviar os meus. sentada na areia, decidi ser concha, já que o som daquelas marés já estavam em mim... um olhar. um segundo de olhar. algumas pessoas se tornam inesquecíveis por tão pouco...

ultimamente, tenho visto tantas coincidências, que até me atrevo a chamá-las de... destino.

-


tentei traduzir o sentimento em desenho.

terça-feira, 6 de julho de 2010

vai!

desocupar todas as gavetas, varrer as más lembranças para outro lugar que não embaixo do tapete, amassar projetos que não deixaram de ser projetos, rasgar promessas que não deixaram de ser promessas, voltar a acreditar na teoria do pra sempre. esconder lembranças concretas no fundo do lixo, fazer evaporar lágrimas que talvez nunca secariam. deixar o sol bater na cara, deixar o sol se por, deixar ver o céu ficar laranja, vermelho, rosa, roxo, azul, deixar que a lua e as estrelas se responsabilizem pelo resto. volta a mente liberta para cima da parede, em letras muito bem ampliadas e cravejadas de luz alternativa, que independem da luz que vem da janela. ter a humildade de deitar no chão, fechar os olhos e pensar em chorar, mas ter consciência de que as coisas estão melhorando, e se deixar ser forte uma vez na vida. de deixar a consciência falar mais alto, ou de simplesmente ouvi-la: ver o passado não mais com remorso ou culpa, mas com sensação de dever cumprido, e até um certo alívio. ver que a tua coragem de menina, se por um momento te destruiu, te fez crescer e perceber que os mais lindos olhos são os teus, de criança, menina, que comportam emoções de criança, de pré-adolescente, de adulto, de idoso, e de quem quase morreu de amor, de dor, de tédio, de rir... mas continua vivo. ver que tu ainda respiras tentando encher os pulmões de vida, mas que já não é tão difícil deixar qualquer luz entrar! vês? já podes parafrasear a trilha sonora amarga que pertenceu a ti outrora, e já não te sentes tão egoísta só por trocar a primeira pessoa do plural pela do singular. vê o quanto isso é bom. vê que a TUA história não estará pelo avesso, assim, sem final feliz.

levantar do chão e ouvir que o vento vai levando tudo embora.

um mês.
afirmar que foi rápido, que pareceu uma semana, mas reconhecer que há um mês, um dia parecia uma semana.


um coração livre.
vai! te deixo voar!


tu já o perdeste de vista, menina?

domingo, 4 de julho de 2010

enchendo os pulmões de vida.

se depois de duas semanas de quase autodestruição, eu posso me sentir tão bem quanto estou me sentindo agora, então, talvez, essas duas semanas não tenham sido tão ruins assim. ou talvez até tenham sido. certo, foram mesmo. e foram importantes. e foi importante, sim, o que passou. eu me recuso a acreditar que algo que me fez crescer tanto enquanto pessoa tenha sido "perda de tempo", "desmerecido", ou um desses jargões que as pessoas costumam atrelar a esse tipo de situação. mais bonito ainda é quando não deixa mágoas, quando o coração sái renovado, quando a alma sái cheia de esperança, quando o corpo sai querendo voar, quando a gente sente vontade de recomeçar... ou de simplesmente deixar o tempo passar, enquanto fica deitada na cama, cuidando para que o lençol não descubra nenhuma parte do corpo, deixando o dia passar enquanto olha pro teto, vê o ventilador rodar, e todas as idéias trocando de lugar, lentamente, e depois de um tempo, vê que elas começam a fazer sentido.

vê que algumas pessoas que passaram tanto tempo do seu lado começam a ficar importantes, e vê que elas te fazem rir de verdade, e não pra te forçar a ser legal. vê que elas estão dispostas a fazer até o programa mais "sem graça" com você, só pra te ver um pouco melhor. vê que elas, mesmo que não saibam de tudo o que se passa no seu coração, estão com braços e ouvidos bem abertos, pra escutar suas lamúrias e, em casos extremos, acomodar você nos braços e dizer que vai passar, vai passar.

e passa, mesmo. vai passando, vagarosamente, quase parando, mas passa. e quando você vê, está podendo voltar a sorrir, e o melhor de tudo: sabendo que tem amigos que farão de tudo para manter seu sorriso lá! e aí você já pode voltar a andar pulando, fazer trocadilhos sem graça, sair para lugares que nunca foi antes, tentar novos itinerários (e até se dar ao luxo de se perder!), ouvir músicas novas, conhecer gente nova, vestir o melhor vestido e sair pra vida, colher sorrisos, canções e paixões.

esse texto é dedicado ao meu "back team", como uma pequena forma de agradecer pelas duas piores semanas da minha vida, nas quais eu só fui chatice, lágrimas e lamentos, e mesmo assim elas estiveram lá comigo, sendo firmes e fortes para que eu pudesse ser assim também. e se hoje eu sou só um pouco disso, grande parte devo a vocês. vocês fizeram por onde ser essenciais na minha vida, e são! amo vocês! :*

sábado, 26 de junho de 2010

do que não tem nome!

dos dias que enchem a alma, das fotos que encharcam o coração de amor, e os olhos de lágrimas; das músicas que se canta porque se entende, de ver o sol caindo no mar e a lua trazendo as estrelas, de ter a sensação de que se é querido ou amado por alguém, ou por muitos alguéns! de quando o coração se dispõe a ajudar, de quando o espírito acorda e levanta, e aí você pode cair na grama e olhar pro céu, sentir novos ares batendo no rosto... das danças solitárias no quarto, das cantorias solitárias no banheiro, e o som do carro no volume máximo, quando todos os vidros e portas estão te permitindo ser, no seu pequeno pedaço de mundo, nos seus vinte minutos de trajetória para sabe lá onde dará. das luzes da cidade avisando o entardecer, e o degradê que passa do laranja ao azul do céu, que passa do turquesa à escuridão total. das noites mal dormidas, mas por bons motivos, sem más intenções! um bom amigo, um velho amigo, um novo amigo... uma conversa, um dia fora, planos para o futuro, e o dia indo embora com as bolhas de sabão. dos dias que não se vão, porque estão eternizados em fotografias. dos dias que não se vão, porque estão eternizados na memória; das pessoas que ficam, dos sentimentos que florescem, das flores no seu jardim, das borboletas inocentes, da sua alma decorada, das suas flores recebidas. do que não tem nome.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

a voz da consciência.

se ficar assim te dói,
fica assim não, menina!

vai e procura um outro caminho diferente daquele que você costumava seguir. quem sabe, ele te leve mais perto do céu, mais perto das nuvens, mais perto de um arco-íris com as cores que você nunca sentiu. quem sabe você chegue mais longe do que já imaginou. você tem pressa de chegar?

- mas se eu nem sei onde... ir...

pois vá sem medo, sem pressa. só não fique aí, parada, imóvel, estaticamente inerte, esperando que chova alegria no jardim do seu coração. deite no chão para ver as estrelas, e se esforce para que elas não lhe pareçam lágrimas... as tuas lágrimas, que formaram um mar onde só tu te afogaste. notaste? construíste sozinha o aquário onde afundas lentamente, a cada nova tentativa de... de que, menina? que queres tu do que sobra desta velha vida? que esperas tu neste barco perdido no meio do nada? que esperas tu, tão bem sentada, na cadeira mais baixa da roda gigante? que queres tu que sopre como brisa da manhã em teus ouvidos, que te faça abrir os olhos por um motivo que não o de chorar? que queres tu, com este coração na mão, que tanto dizes, "aberto", se nem tu própria conseguiste curar as feridas antigas, menina? de onde queres que surja a tamanha felicidade a qual tanto procuras? será que tu procuras, menina? ou vives a adiar e a atrasar teu sorriso bonito, menina? e, aliás, porque não sorris?

- porque não me dás, tu, um belo motivo?

e achas pouco poder acordar todo dia ao som dos pássaros, sentindo os primeiros raios de sol atravessando o vidro da tua janela, poder pisar de pés descalços no chão frio do teu quarto, e te sentir viva?

- como se tu não soubesses do muro que ocupa a visão da minha janela...

e foi este muro que te fizeste acreditar que o céu não existe mais? tantos anos de vida, menina, e ainda não aprendeste a ver o céu verdadeiro? ou pior: estás sempre à mercê de uma janela aberta, sem grades, sem prédios, livre para que possas tu livremente observar o céu? que custa de ti, menina, abrir um , dois ou três cadeados, e correr para sentir o céu? tu precisas tê-lo fácil, assim, para acreditar que ele está sempre ali, para ti? precisas que a felicidade se deleite em teus braços para saber que ela existe? precisas tu que as flores nasçam e desabrochem sozinhas, para sentir-lhes o verdadeiro perfume?

- talvez porque tenha precisado sentir o gosto das lágrimas para perceber o quanto são cruéis; porque tenha precisado retornar à solidão, para saber o quanto dói; porque tenha eu precisado estilhaçar meu coração, para saber o quão árduo é o trabalho da reconstrução... ainda mais quando o vento resolve por levar alguns pedaços dele consigo. sempre fica um vazio, um buraco negro na galáxia que eu mesma sou, e tenho medo de entrar e não sair, tenho medo de olhar e não conseguir mais parar, até que ele seja o (novo) dono dos meus olhos, e eu tenha de viver de um infinito doloroso, gradualmente doloroso, e tão doloroso, que nem mesmo o sono eterno possa ser capaz de curar tudo isso.

o que tu não sabes, menina, é que nem sempre persistir no erro é burrice. se tu soubesses que seria erro, certamente não teria o feito; e talvez, de fato, nem tenha o sido; são só teus olhos coagulados de lágrimas que só enxergam o que tu própria queres. estás tão certa de que estás imersa no teu aquário, que não consegues ver através da superfície; estás tão certa de que estás perdida, que não consegue encontrar saída. estás tão certas de que está triste, que não consegues sorrir.

- eu não estou certa de que estou triste!

pois sorris, menina. não te dói ficar assim?

- dói...

fica assim não, menina, que a dúvida é uma das poucas certezas da vida. e tu, que tanto admiras os paradoxos, deverias aprender a conviver com este, já que não aprendeste (e parece que nunca vais aprender) a lidar com a tamanha injustiça que te rodeava. vês? já não precisas mais amargurar teu coração a tanto! vês que és capaz de tornar a enxergar as pequenas coisas da vida, mesmo que isso te custe tanto?

- vejo...

diga a mim, agora: custa tanto para ti levantar-te dessa cama e ir contar as estrelas do céu, ou ver desenhos nas nuvens, ou passar horas admirando a lua, ou sentir o vento da noite? custa para ti perceber que, de certa forma, tudo ao teu redor te conta algum segredo, e é só tu, com teus ouvidos ainda carregados de promessas não cumpridas, que não te permites ouvir? que é só tu, menina, com o corpo ainda cravejado de passado, com a alma vestida de ausência, com o coração - embora partido - recheado do que já foi embora, que não consegue render-te ao destino que te é merecido... que só, e somente tu, menina, és a dona da essência... e a dona do sorriso... e a dona do perfume, da flor... só tu.