foi no mesmo dia que eu nem precisei ver o teu sorriso pra começar um velho sonho bom, e eu tive um pesadelo. eu vivi um pesadelo que, de fato, nem aconteceu. mas poderia ter acontecido, e era tudo o que eu não queria. dois anos e cinco meses passando em flashback na minha memória nos trinta segundos mais desesperadores daquele dia. passaram, ainda bem. ou talvez ainda tenha ficado algo dentro de mim...
... mas foi no caminho de casa, o céu já no meu degradê preferido, laranjazul, que eu vi pelo retrovisor um pedido de desculpas. uma recompensa. um carinho de alguém que eu não sei quem foi, mas sei que não poderia ter vindo de uma árvore, nem com o vento. foi uma criança, foi um mendigo, foi o amor da minha vida, foi um transeunte, um desocupado qualquer.
era uma flor que ainda nem desabrochou e já estava murcha! mal nasceu, já tinha morrido!
e estava ali, cuidadosamente emaranhada na porta traseira do carro, estrategicamente posicionada para que eu pudesse regá-la com meu olhar de encanto durante todo o trajeto...
e realmente não importa quem deixou essa flor pra mim. seja lá quem ou o que tenha sido, nem sabia quem eu era. tão inocente quanto a própria flor. e eu me aproveitei de sua morte para mantê-la por perto até que eu preencha todas as páginas da minha agenda. seja lá quem ou o que tenha sido, nem pôde ver o brilho dos meus olhos... que, de certo, cegaria.
seja lá quem ou o que tenha sido, por favor, apareça!
domingo, 29 de agosto de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
sobre ''a falta''.
e eu tive que segurar com mãos de plástico, ou de qualquer material isolante térmico, um sentimento que estava na iminência de rolar precipício abaixo, na iminência de se perder no labirinto de onde ainda sinto que há fragmentos seus. mas prefiro não sentir, finjo que não sei, finjo que esqueço e espero que evapore logo, junto com as lágrimas resistentes que ainda navegam nesse mar de naufrágios...
para o texto da Dam.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
primeiro dia da segunda greve.
meia hora pra ir, uma inteira pra voltar. vai ter aula? desespero, engarrafamento, primeira e segunda marcha, primeira e segunda, freia! entra à esquerda, olha, tem batida! entra aqui de novo! será que essa rua tem saída? buzinas, jogos de luz, policiais, caos, greve de ônibus, multidões, imprudentes, infratores, irregularidades, irracionalidades.
e eis que chego em casa, e uma lua sorridente me recepciona!
...e ainda tem quem não entenda porque eu sou tão apaixonada pelas pequenas coisas da vida!
e eis que chego em casa, e uma lua sorridente me recepciona!
...e ainda tem quem não entenda porque eu sou tão apaixonada pelas pequenas coisas da vida!
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
poeminha bobinho (para um coração à altura)
querido coração,
magoa a mim ter de ser eu a te prender
no lugar de onde você nunca deveria ter saído!
te deixei livre, mas tu voaste além do estimado.
sofre, grita e chora calado,
que tuas batidas não quero escutar!
que eu não sei e nem quero saber o que elas querem dizer...
(que eu não quero ninguém do meu lado.
que eu não quero ninguém com você,
que não seja ninguém que não seja eu.)
magoa a mim ter de ser eu a te prender
no lugar de onde você nunca deveria ter saído!
te deixei livre, mas tu voaste além do estimado.
sofre, grita e chora calado,
que tuas batidas não quero escutar!
que eu não sei e nem quero saber o que elas querem dizer...
(que eu não quero ninguém do meu lado.
que eu não quero ninguém com você,
que não seja ninguém que não seja eu.)
quarta-feira, 28 de julho de 2010
das frustrações
fecho os olhos, que é pra ver bem o coração por dentro; e, quase sempre, vejo o que não queria.
quando os abro, já é tarde: estão afogados na solução ácida que decidi lhes mostrar.
...
porque você mentiu?
quando os abro, já é tarde: estão afogados na solução ácida que decidi lhes mostrar.
...
porque você mentiu?
e a frustração nada mais é
senão o pouco que você queria
acontecendo exatamente no momento
em que você já não mais o quer.
23:32.
terça-feira, 27 de julho de 2010
01h27
andando distraída e, aparentemente sem direção, deixei-me surpreender e logo encantar por uma luz que parecia me chamar, parecia querer ser dona do meu olhar. às 19h, eu já sabia que era a luz da lua mais cheia e mais próxima que eu já vi. até fiquei na ponta dos pés, mas acredito que um metro e sessenta e seis centimetros não seja distância suficiente desse mundo até ela. no meu, foi. mas logo caí. e, ao abrir os olhos, céus, as estrelas!
foi no centro da cidade que eu assisti o fim-de-tarde mais sinestésico de todos os tempos.
acabei de descobrir que vou passar minha velhice jogando milho e farelo de pão para os pombos da Praça do Ferreira.
foi no centro da cidade que eu assisti o fim-de-tarde mais sinestésico de todos os tempos.
acabei de descobrir que vou passar minha velhice jogando milho e farelo de pão para os pombos da Praça do Ferreira.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
hoje não.
(...)
e agora já me sinto quase leve, um quase alívio, uma quase felicidade, um quase sorriso, uma quase esperança. uma quase melodia imperial, um quase salão, uma quase dança, uma quase praça em um quase fim de tarde. quase estrelas, quase lua. mas ainda é madrugada, e então é quase amanhã. é quase alegria, e mais uma vez essa quase-vida sái de mim!
e mais uma vez é esse sorriso que te fecha os olhos, que te molha de água da chuva, que te enche o cabelo de estrelas, o corpo de flores; e aí tu giras, giras, giras no teu carrossel, e teus pensamentos vão com as bolhas de balão, com balões de são joão, com pipas de papel... ou com um disco voador.
e agora já me sinto quase leve, um quase alívio, uma quase felicidade, um quase sorriso, uma quase esperança. uma quase melodia imperial, um quase salão, uma quase dança, uma quase praça em um quase fim de tarde. quase estrelas, quase lua. mas ainda é madrugada, e então é quase amanhã. é quase alegria, e mais uma vez essa quase-vida sái de mim!
e mais uma vez é esse sorriso que te fecha os olhos, que te molha de água da chuva, que te enche o cabelo de estrelas, o corpo de flores; e aí tu giras, giras, giras no teu carrossel, e teus pensamentos vão com as bolhas de balão, com balões de são joão, com pipas de papel... ou com um disco voador.
grande parte deste texto foi removida por motivos genuinamente pessoais.
terça-feira, 20 de julho de 2010
mesmo clichê.
a todos vocês que têm lugar eterno e intransferível no meu coração; a vocês, que fazem dos meus dias melhores, que me fazem rir com qualquer besteira, que me fazem rir das besteiras da vida, que conseguem me fazer rir com um filme em que eu deveria chorar; a vocês que, pacientemente, atendem minhas ligações quando eu estou desesperada demais para falar frases completas e coerentes, mas me escutam mesmo assim; a vocês que eu não ligo, mas perturbo por outras vias de comunicação; a vocês, que já tiveram o ombro banhado das minhas lágrimas, que já ficaram com dor de cabeça de ouvir meus infortúnios, ou minhas piadas sem graça, ou meus trocadilhos imbecis; a vocês, que não se irritam quando eu lhes imito o sotaque, ou o jeito de falar, ou quando eu simplesmente tiro o dia para implicar.
vocês, que não aguentam mais receber minhas cartinhas, meus recadinhos com coraçõezinhos, meus bilhetinhos no caderno, meus desenhos, meus origamis; vocês, que não suportam minhas crises de ciúmes, nem minha necessidade de ficar constantemente dizendo o quanto eu amo vocês...
VOCÊ, que se viu enquadrado em uma, duas, três, ou todas as situações...
tenha certeza de que é indispensável na minha vida! que eu não vou sair do seu lado! que eu não troco você por nada nesse mundo! que eu sou uma pessoa imensamente feliz por poder chamar você de 'amigo'! que a minha vida é muito mais doce e cheia de sorrisos com você do meu lado! :~)
a vocês que, além de tudo, tiveram o trabalho de ler esse texto meloso... um FELIZ DIA DO AMIGO!
eu não saberia viver longe de vocês.
vocês, que não aguentam mais receber minhas cartinhas, meus recadinhos com coraçõezinhos, meus bilhetinhos no caderno, meus desenhos, meus origamis; vocês, que não suportam minhas crises de ciúmes, nem minha necessidade de ficar constantemente dizendo o quanto eu amo vocês...
VOCÊ, que se viu enquadrado em uma, duas, três, ou todas as situações...
tenha certeza de que é indispensável na minha vida! que eu não vou sair do seu lado! que eu não troco você por nada nesse mundo! que eu sou uma pessoa imensamente feliz por poder chamar você de 'amigo'! que a minha vida é muito mais doce e cheia de sorrisos com você do meu lado! :~)
a vocês que, além de tudo, tiveram o trabalho de ler esse texto meloso... um FELIZ DIA DO AMIGO!
eu não saberia viver longe de vocês.
sábado, 17 de julho de 2010
não deveria ser.
quando acordei, já era tarde. na verdade, fui acordada. mas posso acordar a hora que for, sempre tenho a impressão de que estou dormindo. sempre tenho a sensação de que estou sonhando, e sempre tive mania de achar que, se ainda não despertei, não tarda: o sonho tornar-se-á pesadelo.
e, agora, vem como febre. o frio congela as pontas dos dedos, e o rosto é quente de tanto rubor! a sensação avessa àquela que deveria ser. e nem estou cheia de me sentir vazia; de fato, não me sinto vazia... talvez nunca tenha me sentido completa de verdade. vê que sou tão fragmentada como meu próprio coração, e seria exigir demais de algo ou de alguém que me completasse cada peça; sempre falta ou excede, ah, por pouco!
vai ver que as palavras mesmo é que morreram e, seja lá o que for... só tem a força do impulso necessário para...
...reluzir.!
ou
e
s
c
o
r
r
e
r pelos olhos...
e, agora, vem como febre. o frio congela as pontas dos dedos, e o rosto é quente de tanto rubor! a sensação avessa àquela que deveria ser. e nem estou cheia de me sentir vazia; de fato, não me sinto vazia... talvez nunca tenha me sentido completa de verdade. vê que sou tão fragmentada como meu próprio coração, e seria exigir demais de algo ou de alguém que me completasse cada peça; sempre falta ou excede, ah, por pouco!
vai ver que as palavras mesmo é que morreram e, seja lá o que for... só tem a força do impulso necessário para...
...reluzir.!
ou
e
s
c
o
r
r
e
r pelos olhos...
terça-feira, 13 de julho de 2010
é.
a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar... (p.83)
