virou as costas e foi, deixando para trás o tempo que compartilharam. compartilharam? não se sabe ao certo, mas ela foi. foi antes que a saturação extrapolasse o limite do aceitável e passasse a doer nos olhos... mas já doía no coração. não no dela, mas no da mão que lhe regava prontamente, a qualquer alerta de necessidade. o que poderia fazer, afinal? é necessária muita coragem para lançar mão da segurança em que se enraizou para lutar com alguém. nem lutar, apenas estar junto. apenas... nada.
e, de repente, já não eram mais nada: nem mão, nem flor. não se deixavam mais ajudar, invadir, abraçar. duas mortes, duas perdas, duas falhas. um nó que se desfez, tinta diluída em água, dedos que não se entrelaçaram mais, olhares que não se cruzam, palavras que se perdem: e assim se fez a distância. que deveria ser saudável, mas igualmente doía. doía o coração e a distância, doía o coração e a saudade, as lembranças, as cartas, as fotografias, os planos.
e ainda dói.
dói a distância, dói a saudade, doem as palavras.
mas dói, principalmente, ser copo de plástico. descartável. amassado.