me faltam palavras, como se elas não existissem... ou como se, simplesmente, estivessem se escondendo de mim: talvez queiram ser usadas no momento certo. hoje, nem precisei ir até o quintal para respirar uma brisa boa, que me disse que a chuva viria; e aí, me lembrei de uma frase que dizia "but you can't have a rainbow without a little rain", e me lembrei do dia que a vi por aí, traduzida em fotografia: foi o dia que consegui traduzí-la em sentimentos meus, que até hoje não consigo descrever, de tanto que o coração pareceu, em um segundo, cheio de si, de tanta esperança! e choveu. choveu forte, como se fossem lágrimas de uma mágoa, de uma tristeza que já não queria mais ser. e, de alma lavada, saiu para passear aqui, no meu jardim, onde virou esse sentimento que ainda não tem nome. porque é muito mais que alegria, felicidade, leveza, paz, tranquilidade. é uma energia. uma vez, uma pessoa muito querida me disse que eu tinha estrela, e me entregou uma pulseira cheia delas; e quando eu perguntei o por quê, simplesmente me respondeu: - é simples. quando você está triste, chove. quando está feliz, faz sol. algumas pessoas se tornam inesquecíveis por tão pouco... ultimamente, quando o sol bate meu rosto, chega a doer na vista. mal consigo abrir os olhos! e de olhos fechados, mesmo, consigo sentir milhões de pequenas estrelas fazendo luz em minha volta, e cada pequena luz compondo cada fonema desse sentimento que ainda não se formou. ou talvez já esteja mesmo pronto, eu é que tenho essa mania de entitular tudo o que vejo. e o que não vejo, também. a pulseira já não brilha como antes, mas ainda a guardo como se me fosse recém dada; talvez eu tenha pegue seu brilho emprestado, e não queira mais devolver.
sempre sustentei uma teoria própria, de que tenho uma certa sensibilidade para traduzir pessoas. sim. em um olhar, só. não é fácil fazer com que pessoas acreditem nisso, mas sempre dá certo comigo, feliz ou infelizmente. o lado bom é que isso me concede coragem, quase como se fosse magia, e eu consigo vencer essa timidez incrédula que possuo. na sequência, tenho uma quase necessidade de me sentir tão importante para as pessoas quanto elas se tornam, com poucas palavras e pequenos gestos, para mim. no caso extremo oposto, tenho urgência em não mais querê-las no olhar, em não dar-lhes minha educação, em não dirigir-lhes a palavra. isso não me traz conclusão alguma, mas já me levou a tomar decisões drásticas.
no dia em que eu anoiteci junto com o sol, dentro do mar, soube amanhecer junto com a lua. nunca achei que valesse a pena contar isso para alguém, já que quase ninguém me entende. é difícil entender o coração. mas um dia, em uma situação que nem merecia saber desse fato, houve quem entendesse e, por um instante, vi em seus olhos um mar que já me afogava quando decidi desviar os meus. sentada na areia, decidi ser concha, já que o som daquelas marés já estavam em mim... um olhar. um segundo de olhar. algumas pessoas se tornam inesquecíveis por tão pouco...
ultimamente, tenho visto tantas coincidências, que até me atrevo a chamá-las de... destino.
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tentei traduzir o sentimento em desenho.