desocupar todas as gavetas, varrer as más lembranças para outro lugar que não embaixo do tapete, amassar projetos que não deixaram de ser projetos, rasgar promessas que não deixaram de ser promessas, voltar a acreditar na teoria do pra sempre. esconder lembranças concretas no fundo do lixo, fazer evaporar lágrimas que talvez nunca secariam. deixar o sol bater na cara, deixar o sol se por, deixar ver o céu ficar laranja, vermelho, rosa, roxo, azul, deixar que a lua e as estrelas se responsabilizem pelo resto. volta a mente liberta para cima da parede, em letras muito bem ampliadas e cravejadas de luz alternativa, que independem da luz que vem da janela. ter a humildade de deitar no chão, fechar os olhos e pensar em chorar, mas ter consciência de que as coisas estão melhorando, e se deixar ser forte uma vez na vida. de deixar a consciência falar mais alto, ou de simplesmente ouvi-la: ver o passado não mais com remorso ou culpa, mas com sensação de dever cumprido, e até um certo alívio. ver que a tua coragem de menina, se por um momento te destruiu, te fez crescer e perceber que os mais lindos olhos são os teus, de criança, menina, que comportam emoções de criança, de pré-adolescente, de adulto, de idoso, e de quem quase morreu de amor, de dor, de tédio, de rir... mas continua vivo. ver que tu ainda respiras tentando encher os pulmões de vida, mas que já não é tão difícil deixar qualquer luz entrar! vês? já podes parafrasear a trilha sonora amarga que pertenceu a ti outrora, e já não te sentes tão egoísta só por trocar a primeira pessoa do plural pela do singular. vê o quanto isso é bom. vê que a TUA história não estará pelo avesso, assim, sem final feliz.
levantar do chão e ouvir que o vento vai levando tudo embora.
um mês.
afirmar que foi rápido, que pareceu uma semana, mas reconhecer que há um mês, um dia parecia uma semana.
um coração livre.
vai! te deixo voar!
tu já o perdeste de vista, menina?