quarta-feira, 6 de julho de 2011

sexta-feira, 24 de junho de 2011

já vou.

porque eu é que sou monstro, que sou erva daninha. foi eu quem traiu, quem fez por desmerecer, por se desimportar, por cair em esquecimento, por ser arcaísmo... vício de linguagem, senso comum. tudo, tudo banalizado! tudo esquecido, tudo perdido...

pois vou.
não quero voltar, não quero olhar pra trás, não quero me arrepender. não quero me perder. não quero me encontrar. só quero ir. sair deste jardim, que não me cabe mais. fugir destas raízes que desconheço: não sei mais quem fui, mas vou. vou pegar o primeiro vôo dos passarinhos. vou correr, correr, correr... e vou! vou, porque já não firmo mais os pés no chão. porque quem me roubou os pés me levou. e eu fui.

domingo, 15 de maio de 2011

dos poucos e bons.

são os que sempre ficam, apesar de tudo. apesar da distância, dos tempos, dos afastamentos, dos esquecimentos. das bifurcações da vida, dos destinos das estradas, do tanto que se caminhou. das ironias da vida, do que já foi, do que não é mais.

são os que ficam, os que ainda sentam ao meu lado, que compartilham o recreio comigo. os que dividem o lanche, os que copiam a tarefa em cima da hora. os que combinam a pesca, que conversam na hora da aula e vão juntos pra coordenação. os que fazem brincadeiras infantis na sala, os que contam as piadas mais idiotas do mundo... e a gente ri, mesmo assim. e a gente é feliz, mesmo assim. mesmo com toda a distância, mesmo com toda a saudade. porque no fundo, no fundo, a gente sabe que tem um ao outro.

sábado, 2 de abril de 2011

da minha vida (desimportante).

era uma vez uma menininha made-in-the-seventeens que andava saltitando na rua. aí ela encontrou um rapazinho (como chamavam? mauricinho?) dando mole. paqueram-se. começaram a namorar. um mês depois, estavam noivos. mais trinta dias, e o matrimônio. ela tinha dezoito anos, e ele tinha dezessete. um apartamento sem nenhuma mobília. e pouco tempo depois, esse amor me fez nascer. e cá estou eu, vítima das histórias dos amores impossíveis, filha dos tempos de outrora. cheia de sequelas de um período que se perdeu no espaço. e fico orbitando em torno dele, como se ainda existisse... como se eu pudesse vivê-lo. como alguém que, toda noite, joga a vara e fisga as estrelas... mas não consegue puxá-las para si.

quarta-feira, 30 de março de 2011

carta aberta.

à quem se importar, que fique registrado:

eu cansei.
eu estou oficialmente cansada de tudo isso!

estou definitivamente cansada de doar alma e coração e só me arremessarem pedras. de me preocupar com a harmonia das coisas e das pessoas, e não obter nada em retorno (nem mesmo respeito - só o caos). de ser atingida com a mais ridícula das infantilidades, de ser vítima de fofoca, de ser cruelmente julgada por alguém que não sabe nada - absolutamente NADA - da minha vida. de ter uma imagem deturpada por alguém que não tem nem mesmo identidade, não tem coerência, não tem paz de espírito; alguém que quer curar um coração partido passando por cima dos outros, se aproveitando das oportunidades mais insignificantes; alguém que se diverte catalogando dados sobre os passos dos outros, quando só anda em corda bamba, quando vive tropeçando nos próprios pés e arrastando pessoas para os abismos que cai. quem não sabe guardar um segredo, quem não sabe o valor da palavra "amizade", quem não sabe ser humilde, quem não se cabe em mesquinhez, quem expõe a vida ao ridículo, quem não consegue viver em paz. quem não faz a menor idéia do que está acontecendo, e se vê no direito de distorcer os acontecimentos...

e mais cansada ainda eu estou de quem me põe como vilã na minha própria história.
porque, geralmente, isso tem vindo de quem eu menos espero.

de onde eu venho, as pessoas têm direito de fazer o que quiserem com suas vidas.
no meu tempo, a gente dava satisfação à quem nos era superior.

e de acordo com meu pífeo conhecimento, "discrição" é sinônimo de não querer ser o centro das atenções; "amizade" quer dizer companheirismo, reciprocidade, confiança e querer ver o outro feliz, e não uma relação unilateral exploratória, interesseira e ofensiva; "mudar" é deixar de ser o que se foi por toda a vida até o momento, e não cortar o cabelo ou postar uma frase de um autor conhecido nas redes sociais, esperando que todos aprovem; "religião" quer dizer acreditar no sobrenatural afim de encontrar respostas para as questões da vida, para se tornar uma pessoa melhor. o seu deus, seja lá quem for, não acessa o orkut, nem o facebook, nem o twitter. recebe o mérito quem faz por onde, nas pequenas atitudes do dia-a-dia; não é preciso ir a cultos religiosos periodicamente para estar em paz com seu espírito; mas ainda assim, há quem vá, e não consiga encontrar a sua própria luz: se vê com a dos outros, vai com eles. e "caráter" é o que me dá respaldo a escrever tudo isso.

eu, sinceramente, não sei o que está acontecendo com os valores da sociedade atual.
não sei qual tratado gramático-ortográfico determinou que palavras tão cheias de significância se banalizassem assim. catacrese?

não consigo me adaptar às leis do pós-moderno.
no meu tempo, eu passava o final de semana lendo livros, desenhando, estudando, saindo para ver o céu,  escrevendo, estreitando meus laços afetivos, fortalecendo minhas novas e antigas amizades, e engrandecendo minha personalidade.

eu estou cansada de magoar as pessoas por algo que eu não fiz.
de ter que me desculpar pelas atitudes errôneas dos outros.
de ter a pertinente sensação de que eu não sou daqui, mas que vou ter de ficar.

e a pior de todas: de saber que só existe uma pessoa que se importa com isso tudo... e que essa pessoa sou eu.

terça-feira, 29 de março de 2011

o passarinho

ando, ando, ando
ando perdendo minhas penas
e corro, corro, corro
de desespero, porque não vôo.

terça-feira, 15 de março de 2011

besouro.

me surpreendeu no meu próprio quarto e, quando eu o vi, o espanto: porque não sabia voar em silêncio? e me assustei.
mas logo senti pena. ele voava em direção à luz errada...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

vila dos passarinhos

cada casa tinha seu nome:

"já vieram"
"se foram"
"voltaram"
 "nunca estiveram"
"jamais partirão"

ela já sabia onde cada passarinho morava. mas às vezes é difícil acreditar quando um passarinho resolve mudar de lar, e mais difícil ainda é entender.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

tenho dessas

de sair distribuindo sorrisos pra todo mundo, dizendo que vai dar tudo certo até convencer de que não é da boca pra fora. mesmo quando é. de correr, de saltitar, distribuir flores e poesias, encaminhar raios de sol, abrigar, proteger e cantar na rua. dançar na chuva. virar a noite, deitar na grama e olhar as estrelas. ver desenhos em nuvens. sonhar acordada, dormir sorrindo, acordar chorando. levantar tonta, não querer pisar no chão, ter medo de cair, ter medo de não acordar; vai ficar sozinha pra sempre, ninguém vem pra despertar, ninguém vai ouvir teu choro, vai morrer sufocada com a própria angústia, ninguém entende! e, de vez em quando, tenho necessidade de uma realidade que não existe; aí assisto uns filmes bem românticos. ou infantis, ou com finais felizes... e choro, choro até soluçar. porque, na verdade, tenho a forte (e cruel) impressão de que nada, nada disso nunca vai acontecer comigo. tenho dessas. não existo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

jogando conversa fora.

- e você já sonhou comigo?

(levando em consideração que eu tenho passado mais tempo dormindo do que acordada, e que você sempre dá um jeito de aparecer nos meus sonhos, nem que seja só pra me lembrar de que é, de fato, um sonho... mas que eu desejo secretamente, com toda a pouca força do meu coração, que ele se encaminhe para a realidade...)

- é, já sonhei, sim.