E, na verdade, ele estava coberto de razão.
Fui eu que escolhi ser tão afobada, tão apressada, tão intensa e desesperada. Fui eu que quis tanto, quando nem sabia se queria. Eu sabia dos riscos de magoar, de se magoar. Sabia da minha insegurança, sabia dos meus medos, dos meus traumas, das minhas travas. Do meu muro de pedra. Sabia dos meus espinhos, cada um deles. Sabia das minhas rachaduras, das minhas falhas, das minhas feridas abertas. Sabia o quanto cada uma doía (e ainda dói).
Eu sabia exatamente o que cada onda me trouxe de sequela. Sabia que tinha sido petrificada. Salinizada. coração de charque, sem vida.
Mas era só sal...
Era só ter tido paciência de esperar em banho corrente, em cachoeira, ou até mesmo na chuva. Era só ter deixado a água levar de volta o que deixou em mim: sal. E aí eu voltava a ser quem eu gostava tanto... Talvez não tão doce - há de se considerar que tanto sal adormece -, mas menos prejudicial. Menos iódica. Menos armada, menos protegida, menos enclausurada, menos impregnada... de sal.
Ele é de câncer, e o meu sal absorve tudo de mais belo que existe nele, que ele tem pra me oferecer.
E depois divide, egoistamente, entre cada grãozinho.
Em cada grão de sal existe um pouco de amor.
E como boa armadura que todos juntos são, não deixam que nada me atinja.
Queridos grãos de sal, por favor, parem de reter o meu amor!
(Meu querido amor, por favor, me deixe de molho em água da chuva!)
sábado, 21 de julho de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
diálogos da madrugada.
- mas olha como é bonito quando você gosta tanto de uma pessoa, que tem vontade de vê-la todos os dias!
- e tu num enjoa da cara dessa pessoa, não?
- eu, não! a gente não enjoa de quem a gente ama, não...
- e o que a gente faz quando fica tudo igual, todos os dias?
- é assim: a gente tem que tentar buscar coisas novas, pra fazer o relacionamento dar certo. quando as duas partes não querem, aí você vai e termina... e aí é bem triste. mas, quando uma das partes está tão disposta a ponto de conseguir erguer a outra, aí é quando as coisas ficam mais lindas. uma pessoa sendo capaz de trazer a outra de volta pra si, pros dois.
- e tu num enjoa da cara dessa pessoa, não?
- eu, não! a gente não enjoa de quem a gente ama, não...
- e o que a gente faz quando fica tudo igual, todos os dias?
- é assim: a gente tem que tentar buscar coisas novas, pra fazer o relacionamento dar certo. quando as duas partes não querem, aí você vai e termina... e aí é bem triste. mas, quando uma das partes está tão disposta a ponto de conseguir erguer a outra, aí é quando as coisas ficam mais lindas. uma pessoa sendo capaz de trazer a outra de volta pra si, pros dois.
sábado, 29 de outubro de 2011
sobre lírios.
virou as costas e foi, deixando para trás o tempo que compartilharam. compartilharam? não se sabe ao certo, mas ela foi. foi antes que a saturação extrapolasse o limite do aceitável e passasse a doer nos olhos... mas já doía no coração. não no dela, mas no da mão que lhe regava prontamente, a qualquer alerta de necessidade. o que poderia fazer, afinal? é necessária muita coragem para lançar mão da segurança em que se enraizou para lutar com alguém. nem lutar, apenas estar junto. apenas... nada.
e, de repente, já não eram mais nada: nem mão, nem flor. não se deixavam mais ajudar, invadir, abraçar. duas mortes, duas perdas, duas falhas. um nó que se desfez, tinta diluída em água, dedos que não se entrelaçaram mais, olhares que não se cruzam, palavras que se perdem: e assim se fez a distância. que deveria ser saudável, mas igualmente doía. doía o coração e a distância, doía o coração e a saudade, as lembranças, as cartas, as fotografias, os planos.
e ainda dói.
dói a distância, dói a saudade, doem as palavras.
mas dói, principalmente, ser copo de plástico. descartável. amassado.
e, de repente, já não eram mais nada: nem mão, nem flor. não se deixavam mais ajudar, invadir, abraçar. duas mortes, duas perdas, duas falhas. um nó que se desfez, tinta diluída em água, dedos que não se entrelaçaram mais, olhares que não se cruzam, palavras que se perdem: e assim se fez a distância. que deveria ser saudável, mas igualmente doía. doía o coração e a distância, doía o coração e a saudade, as lembranças, as cartas, as fotografias, os planos.
e ainda dói.
dói a distância, dói a saudade, doem as palavras.
mas dói, principalmente, ser copo de plástico. descartável. amassado.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
tempestade.
chuva. muita chuva para uma lágrima só.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
já vou.
porque eu é que sou monstro, que sou erva daninha. foi eu quem traiu, quem fez por desmerecer, por se desimportar, por cair em esquecimento, por ser arcaísmo... vício de linguagem, senso comum. tudo, tudo banalizado! tudo esquecido, tudo perdido...
pois vou.
não quero voltar, não quero olhar pra trás, não quero me arrepender. não quero me perder. não quero me encontrar. só quero ir. sair deste jardim, que não me cabe mais. fugir destas raízes que desconheço: não sei mais quem fui, mas vou. vou pegar o primeiro vôo dos passarinhos. vou correr, correr, correr... e vou! vou, porque já não firmo mais os pés no chão. porque quem me roubou os pés me levou. e eu fui.
pois vou.
não quero voltar, não quero olhar pra trás, não quero me arrepender. não quero me perder. não quero me encontrar. só quero ir. sair deste jardim, que não me cabe mais. fugir destas raízes que desconheço: não sei mais quem fui, mas vou. vou pegar o primeiro vôo dos passarinhos. vou correr, correr, correr... e vou! vou, porque já não firmo mais os pés no chão. porque quem me roubou os pés me levou. e eu fui.
domingo, 15 de maio de 2011
dos poucos e bons.
são os que sempre ficam, apesar de tudo. apesar da distância, dos tempos, dos afastamentos, dos esquecimentos. das bifurcações da vida, dos destinos das estradas, do tanto que se caminhou. das ironias da vida, do que já foi, do que não é mais.
são os que ficam, os que ainda sentam ao meu lado, que compartilham o recreio comigo. os que dividem o lanche, os que copiam a tarefa em cima da hora. os que combinam a pesca, que conversam na hora da aula e vão juntos pra coordenação. os que fazem brincadeiras infantis na sala, os que contam as piadas mais idiotas do mundo... e a gente ri, mesmo assim. e a gente é feliz, mesmo assim. mesmo com toda a distância, mesmo com toda a saudade. porque no fundo, no fundo, a gente sabe que tem um ao outro.
são os que ficam, os que ainda sentam ao meu lado, que compartilham o recreio comigo. os que dividem o lanche, os que copiam a tarefa em cima da hora. os que combinam a pesca, que conversam na hora da aula e vão juntos pra coordenação. os que fazem brincadeiras infantis na sala, os que contam as piadas mais idiotas do mundo... e a gente ri, mesmo assim. e a gente é feliz, mesmo assim. mesmo com toda a distância, mesmo com toda a saudade. porque no fundo, no fundo, a gente sabe que tem um ao outro.
sábado, 2 de abril de 2011
da minha vida (desimportante).
era uma vez uma menininha made-in-the-seventeens que andava saltitando na rua. aí ela encontrou um rapazinho (como chamavam? mauricinho?) dando mole. paqueram-se. começaram a namorar. um mês depois, estavam noivos. mais trinta dias, e o matrimônio. ela tinha dezoito anos, e ele tinha dezessete. um apartamento sem nenhuma mobília. e pouco tempo depois, esse amor me fez nascer. e cá estou eu, vítima das histórias dos amores impossíveis, filha dos tempos de outrora. cheia de sequelas de um período que se perdeu no espaço. e fico orbitando em torno dele, como se ainda existisse... como se eu pudesse vivê-lo. como alguém que, toda noite, joga a vara e fisga as estrelas... mas não consegue puxá-las para si.
quarta-feira, 30 de março de 2011
carta aberta.
à quem se importar, que fique registrado:
eu cansei.
eu estou oficialmente cansada de tudo isso!
estou definitivamente cansada de doar alma e coração e só me arremessarem pedras. de me preocupar com a harmonia das coisas e das pessoas, e não obter nada em retorno (nem mesmo respeito - só o caos). de ser atingida com a mais ridícula das infantilidades, de ser vítima de fofoca, de ser cruelmente julgada por alguém que não sabe nada - absolutamente NADA - da minha vida. de ter uma imagem deturpada por alguém que não tem nem mesmo identidade, não tem coerência, não tem paz de espírito; alguém que quer curar um coração partido passando por cima dos outros, se aproveitando das oportunidades mais insignificantes; alguém que se diverte catalogando dados sobre os passos dos outros, quando só anda em corda bamba, quando vive tropeçando nos próprios pés e arrastando pessoas para os abismos que cai. quem não sabe guardar um segredo, quem não sabe o valor da palavra "amizade", quem não sabe ser humilde, quem não se cabe em mesquinhez, quem expõe a vida ao ridículo, quem não consegue viver em paz. quem não faz a menor idéia do que está acontecendo, e se vê no direito de distorcer os acontecimentos...
e mais cansada ainda eu estou de quem me põe como vilã na minha própria história.
porque, geralmente, isso tem vindo de quem eu menos espero.
de onde eu venho, as pessoas têm direito de fazer o que quiserem com suas vidas.
no meu tempo, a gente dava satisfação à quem nos era superior.
e de acordo com meu pífeo conhecimento, "discrição" é sinônimo de não querer ser o centro das atenções; "amizade" quer dizer companheirismo, reciprocidade, confiança e querer ver o outro feliz, e não uma relação unilateral exploratória, interesseira e ofensiva; "mudar" é deixar de ser o que se foi por toda a vida até o momento, e não cortar o cabelo ou postar uma frase de um autor conhecido nas redes sociais, esperando que todos aprovem; "religião" quer dizer acreditar no sobrenatural afim de encontrar respostas para as questões da vida, para se tornar uma pessoa melhor. o seu deus, seja lá quem for, não acessa o orkut, nem o facebook, nem o twitter. recebe o mérito quem faz por onde, nas pequenas atitudes do dia-a-dia; não é preciso ir a cultos religiosos periodicamente para estar em paz com seu espírito; mas ainda assim, há quem vá, e não consiga encontrar a sua própria luz: se vê com a dos outros, vai com eles. e "caráter" é o que me dá respaldo a escrever tudo isso.
eu, sinceramente, não sei o que está acontecendo com os valores da sociedade atual.
não sei qual tratado gramático-ortográfico determinou que palavras tão cheias de significância se banalizassem assim. catacrese?
não consigo me adaptar às leis do pós-moderno.
no meu tempo, eu passava o final de semana lendo livros, desenhando, estudando, saindo para ver o céu, escrevendo, estreitando meus laços afetivos, fortalecendo minhas novas e antigas amizades, e engrandecendo minha personalidade.
eu estou cansada de magoar as pessoas por algo que eu não fiz.
de ter que me desculpar pelas atitudes errôneas dos outros.
de ter a pertinente sensação de que eu não sou daqui, mas que vou ter de ficar.
e a pior de todas: de saber que só existe uma pessoa que se importa com isso tudo... e que essa pessoa sou eu.
eu cansei.
eu estou oficialmente cansada de tudo isso!
estou definitivamente cansada de doar alma e coração e só me arremessarem pedras. de me preocupar com a harmonia das coisas e das pessoas, e não obter nada em retorno (nem mesmo respeito - só o caos). de ser atingida com a mais ridícula das infantilidades, de ser vítima de fofoca, de ser cruelmente julgada por alguém que não sabe nada - absolutamente NADA - da minha vida. de ter uma imagem deturpada por alguém que não tem nem mesmo identidade, não tem coerência, não tem paz de espírito; alguém que quer curar um coração partido passando por cima dos outros, se aproveitando das oportunidades mais insignificantes; alguém que se diverte catalogando dados sobre os passos dos outros, quando só anda em corda bamba, quando vive tropeçando nos próprios pés e arrastando pessoas para os abismos que cai. quem não sabe guardar um segredo, quem não sabe o valor da palavra "amizade", quem não sabe ser humilde, quem não se cabe em mesquinhez, quem expõe a vida ao ridículo, quem não consegue viver em paz. quem não faz a menor idéia do que está acontecendo, e se vê no direito de distorcer os acontecimentos...
e mais cansada ainda eu estou de quem me põe como vilã na minha própria história.
porque, geralmente, isso tem vindo de quem eu menos espero.
de onde eu venho, as pessoas têm direito de fazer o que quiserem com suas vidas.
no meu tempo, a gente dava satisfação à quem nos era superior.
e de acordo com meu pífeo conhecimento, "discrição" é sinônimo de não querer ser o centro das atenções; "amizade" quer dizer companheirismo, reciprocidade, confiança e querer ver o outro feliz, e não uma relação unilateral exploratória, interesseira e ofensiva; "mudar" é deixar de ser o que se foi por toda a vida até o momento, e não cortar o cabelo ou postar uma frase de um autor conhecido nas redes sociais, esperando que todos aprovem; "religião" quer dizer acreditar no sobrenatural afim de encontrar respostas para as questões da vida, para se tornar uma pessoa melhor. o seu deus, seja lá quem for, não acessa o orkut, nem o facebook, nem o twitter. recebe o mérito quem faz por onde, nas pequenas atitudes do dia-a-dia; não é preciso ir a cultos religiosos periodicamente para estar em paz com seu espírito; mas ainda assim, há quem vá, e não consiga encontrar a sua própria luz: se vê com a dos outros, vai com eles. e "caráter" é o que me dá respaldo a escrever tudo isso.
eu, sinceramente, não sei o que está acontecendo com os valores da sociedade atual.
não sei qual tratado gramático-ortográfico determinou que palavras tão cheias de significância se banalizassem assim. catacrese?
não consigo me adaptar às leis do pós-moderno.
no meu tempo, eu passava o final de semana lendo livros, desenhando, estudando, saindo para ver o céu, escrevendo, estreitando meus laços afetivos, fortalecendo minhas novas e antigas amizades, e engrandecendo minha personalidade.
eu estou cansada de magoar as pessoas por algo que eu não fiz.
de ter que me desculpar pelas atitudes errôneas dos outros.
de ter a pertinente sensação de que eu não sou daqui, mas que vou ter de ficar.
e a pior de todas: de saber que só existe uma pessoa que se importa com isso tudo... e que essa pessoa sou eu.
terça-feira, 29 de março de 2011
o passarinho
ando, ando, ando
ando perdendo minhas penas
e corro, corro, corro
de desespero, porque não vôo.
ando perdendo minhas penas
e corro, corro, corro
de desespero, porque não vôo.
terça-feira, 15 de março de 2011
besouro.
me surpreendeu no meu próprio quarto e, quando eu o vi, o espanto: porque não sabia voar em silêncio? e me assustei.
mas logo senti pena. ele voava em direção à luz errada...
mas logo senti pena. ele voava em direção à luz errada...