quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

incompetência sentimental - II

além da falta generalizada, um nó na garganta que não me deixa falar nada, não me deixa chorar nada. Não afrouxa, não desatina.

pequenas coisas que foram trincando meu coração de vidro, pequenos caquinhos levados pelo vento... e a cada tentativa de reconstituição, ele fica cada vez menor... cada vez mais apertado! Além do tanto que já foi levado, do tanto de coração que eu já dei de graça, e de quantas vezes ele foi roubado.

e eu, cada vez mais certa de estar no mundo no momento errado, cada vez mais perdida e menos coerente...

esse tempo todo tentando ser pássaro... tentando ao menos ser borboleta... mas fui Ícaro, e morri afogada nas minhas próprias lágrimas. E se um dia me encontrarem à deriva por aí, serei só mais uma mulher de sal (o amor pegou o barco da vida e nunca mais voltou...). Que o vento sopre forte, então, e me leve em brisa de volta ao lugar do qual nunca deveria ter saído.

os nossos olhos já não se encruzilham em qualquer esquina. Ao sair da sua vida, eu troquei de caminho: os que não me levaram a você, foram curvas sinuosas, aclives e declives, rotatórias e trilhos, onde eu pretendi estar deitada quando o trem-da-alegria passasse, pra me levar consigo- nem que fosse em suas rodas. Mas nem assim.